Sim, é verdade! Mas saiba por que as baixas temperaturas podem oferecer risco ao coração

Uma publicação do British Medical Journal, periódico inglês, mostra resultados obtidos na análise de 84 mil pacientes nos anos de 2003 a 2006, feita por pesquisadores do Reino Unido, os quais verificaram que, em relação às outras estações do ano, há um aumento de 30% no número de infartos durante o inverno, em temperaturas abaixo de 14ºC.

O maior risco foi observado em casos de até duas semanas após a exposição às temperaturas baixas. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos realizados na cidade de São Paulo, em 2011.

Afinal, o que é o infarto?

É a lesão irreversível (das células) de uma das paredes do coração, provocada pela falta parcial ou total da circulação de sangue nos seus vasos.

O evento que inicia o infarto é a ruptura de uma placa ateromatosa em uma artéria que leva o sangue para o coração. Esta placa ateromatosa é composta por uma série de substâncias que se depositam e se acumulam na camada mais interna da parede arterial, chamada de túnica íntima.  Então, esse rompimento libera o colesterol contido na placa que, em contato com o sangue, provoca sua coagulação imediata, ocluindo parcialmente ou totalmente o vaso.

Portanto, o infarto decorre de duas principais condições: a presença da placa de gordura, chamada ateroma, que se forma ao longo do tempo, e a sua rotura súbita, que fecha o vaso rapidamente.

Frio-e-infarto-arteriaComo é formada essa placa de gordura?

Os ateromas são formados lenta e progressivamente no decorrer de vários anos pela presença dos chamados “fatores de risco”.  Tabagismo, pressão alta, taxas elevadas de colesterol e diabetes são os fatores mais importantes. Obesidade, sedentarismo e estresse emocional completam a relação dos vilões do coração. Idade e tendência familiar também fazem parte desta lista.

Como acontece o infarto?

Existem algumas explicações: quando sentimos frio, nosso corpo libera substâncias que reduzem o calibre dos vasos, aumentam o número de batimentos do coração e a pressão arterial. Essas modificações orgânicas predispõem a rotura de uma placa de gordura, a formação do coágulo de sangue e a obstrução arterial. O resultado disso é o infarto.

As infecções respiratórias, mais frequentes no clima frio, provocam estado de inflamação em todo organismo, e podem agravar as condições da placa de gordura provocando sua instabilidade e, consequentemente, sua ruptura.

Quem tem mais chance de sofrer um infarto nos dias frios?

Adultos ou idosos com idades entre 75 a 84 anos, pessoas com histórico de doenças cardíacas, como as que já realizaram pontes de safena, que implantaram stents ou que tenham quadros de infarto prévio, bem como os diabéticos e pessoas com maior número de fatores de risco são as mais vulneráveis aos efeitos da redução da temperatura.

Como são os sintomas?

O principal sintoma do infarto é a dor em qualquer local do peito, que também pode ser sentida nos braços, pescoço, queixo e até na parte alta do abdômen. Pode estar acompanhada de enjoos, transpiração, palidez, palpitações e falta de ar.

Entretanto, idosos, diabéticos e também as mulheres podem estar “infartando” sem apresentarem dor. Desmaios e confusão mental são outras formas de apresentação nesta faixa etária.

Como prevenir?

A recomendação básica é evitar a exposição prolongada ao frio e ter muita atenção com as variações súbitas de temperatura, o popular choque térmico. A mudança rápida de ambiente aquecido para outro muito mais frio pode ser a causa do infarto.

Esteja sempre bem agasalhado. Mantenha o corpo aquecido tomando chás, sopas e caldos.

Atenção especial no controle dos fatores de risco, especialmente com a pressão arterial, que tende ser mais elevada no inverno. Também com o tabagismo, pelos múltiplos efeitos circulatórios.

Pratique atividade física regular e não “alimente o sedentarismo”.

Tenha uma dieta balanceada, rica em verduras, legumes e frutas. Evite os alimentos gordurosos, já que o consumo e a predileção por eles aumentam no inverno.

A vacinação contra gripe e pneumonia deve estar na lembrança (e na prática) de todos.

Icanor-RibeiroO infarto aconteceu.  E agora, o que faço?

Grande parte das mortes ocorre nas primeiras horas do início dos sintomas do infarto, porque a maioria das pessoas desconhece tais sintomas e a importância deles. A dor no peito pode ser o primeiro, único e último sinal do infarto.

O tratamento atual do infarto propõe a abertura da artéria ocluída o mais rápido possível. Assim, seu diagnóstico e tratamento precoces limitam o tamanho da parede comprometida, reduzindo significativamente a mortalidade. O melhor a ser feito, além do socorro imediato, é seguir rigorosamente o tratamento e mudar os maus hábitos que o levaram a esta condição.

A mensagem final para não ser esquecida: bom senso, rapidez e cautela. Se alguma coisa no seu corpo (ou numa pessoa próxima) parece não estar bem, não ignore os “sinais” e procure assistência médica imediatamente. Ter uma conduta consciente pode salvar vidas!

 

Instituto de Doenças do Coração de Londrina
Dr. Icanor Antonio Ribeiro | CRM 4932
Publicação na Revista Share, da Teixeira Holzmann: http://www.revistashare.com.br/bem-estar-e-saude/mais-frio-mais-infarto/